{"id":427,"date":"2023-02-24T13:37:02","date_gmt":"2023-02-24T16:37:02","guid":{"rendered":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/?p=427"},"modified":"2023-02-24T13:37:02","modified_gmt":"2023-02-24T16:37:02","slug":"ciencia-adota-nanotecnologia-contra-mal-do-caroco-uma-das-principais-doencas-de-caprinos-e-ovinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/2023\/02\/24\/ciencia-adota-nanotecnologia-contra-mal-do-caroco-uma-das-principais-doencas-de-caprinos-e-ovinos\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia adota nanotecnologia contra mal-do-caro\u00e7o, uma das principais doen\u00e7as de caprinos e ovinos"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00e9cnicas de nanotecnologia est\u00e3o sendo usadas para controle da linfadenite caseosa.<\/p>\n<p>A Embrapa e a Universidade Federal de Lavras (Ufla) est\u00e3o utilizando t\u00e9cnicas de nanotecnologia para controlar a linfadenite caseosa, doen\u00e7a tamb\u00e9m conhecida como \u201cmal do caro\u00e7o\u201d, que atinge caprinos e ovinos em todas as regi\u00f5es do Pa\u00eds. O novo tratamento consiste no uso racional de antibi\u00f3ticos aplicados diretamente na \u00e1rea afetada por meio de nanopart\u00edculas e nanofibras. Os principais benef\u00edcios do novo procedimento s\u00e3o a biosseguran\u00e7a e a diminui\u00e7\u00e3o do res\u00edduo de antibi\u00f3tico no leite e na carne oriundos desses animais. O tratamento dispon\u00edvel atualmente envolve um manejo trabalhoso e gera custos com m\u00e3o de obra e medicamentos, tornando-se pouco vi\u00e1vel para rebanhos numerosos, al\u00e9m de apresentar riscos de contamina\u00e7\u00e3o para o manejador e o meio ambiente. <\/p>\n<p>A linfadenite caseosa ou \u201cmal do caro\u00e7o\u201d \u00e9 uma doen\u00e7a bacteriana infectocontagiosa que promove a forma\u00e7\u00e3o de abscessos em linfonodos superficiais (g\u00e2nglios linf\u00e1ticos) ou em linfonodos e \u00f3rg\u00e3os internos do animal. A enfermidade est\u00e1 presente em 94,2% dos rebanhos de ovinos e em 88,5% dos rebanhos de caprinos na Regi\u00e3o Nordeste, onde se localiza a maior produ\u00e7\u00e3o desses animais. <\/p>\n<p>O tratamento convencional do abscesso maduro consiste na drenagem cir\u00fargica do conte\u00fado purulento do caro\u00e7o, seguida da cauteriza\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da ferida com tintura de iodo a 10% por, pelo menos, dez dias (foto \u00e0 esquerda). Caso o procedimento seja feito de forma incompleta, o abscesso pode voltar a aparecer na mesma regi\u00e3o ap\u00f3s alguns meses. O custo desse tratamento para o produtor \u00e9 de aproximadamente 86 reais por animal. <\/p>\n<p>As op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, al\u00e9m de terem alto custo para o produtor, s\u00e3o trabalhosas e n\u00e3o possuem 100% de efici\u00eancia na elimina\u00e7\u00e3o do agente infeccioso no abscesso. O tratamento com iodo ainda apresenta risco de contamina\u00e7\u00e3o tanto para o manejador quanto para o meio ambiente, uma vez que requer a abertura do caro\u00e7o e a drenagem do conte\u00fado, que possui alta carga bacteriana. Como a linfadenite caseosa \u00e9 uma zoonose, pode ser transmitida para o ser humano. <\/p>\n<p>O tratamento que est\u00e1 sendo desenvolvido pela Embrapa e Ufla avalia o uso racional de antibi\u00f3tico priorizado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a cloxacilina, maximizando a biosseguran\u00e7a e reduzindo o risco ambiental. O objetivo da equipe de pesquisa \u00e9 chegar a um protocolo que seja pouco laborioso, tenha um custo mais acess\u00edvel, alta efici\u00eancia e elevada biosseguridade. <\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora da Embrapa Caprinos e Ovinos Patr\u00edcia Yoshida, que lidera o projeto, o resultado esperado \u00e9 a cura do abscesso precoce, sem a necessidade de abertura e exposi\u00e7\u00e3o ao material purulento, o que seria um procedimento mais seguro. \u201cO novo tratamento consiste em administrar altas concentra\u00e7\u00f5es de antimicrobiano diretamente no abscesso, mesmo com baixas concentra\u00e7\u00f5es nos demais tecidos e sangue. Dessa forma, espera-se menor res\u00edduo de antibi\u00f3tico no leite e carne desses animais\u201d, explica. <\/p>\n<p>Nanotecnologia potencializa aplica\u00e7\u00f5es do antibi\u00f3tico<br \/>\nOs pesquisadores utilizam a nanotecnologia para desenvolver duas novas op\u00e7\u00f5es de procedimento. Para o abscesso fechado, ainda no in\u00edcio da doen\u00e7a, est\u00e1 sendo testado o uso de nanopart\u00edculas (foto \u00e0 esquerda), que t\u00eam a capacidade de direcionar o antibi\u00f3tico para o interior das c\u00e9lulas infectadas pela bact\u00e9ria causadora da linfadenite caseosa, para obter uma concentra\u00e7\u00e3o maior do medicamento no local, o que pode favorecer o combate ao pat\u00f3geno. \u201cA bact\u00e9ria se \u2018esconde\u2019 no interior das c\u00e9lulas de defesa do caprino, local onde muitas vezes o antibi\u00f3tico n\u00e3o consegue atingir concentra\u00e7\u00f5es suficientes para elimin\u00e1-la. Por isso, muitas vezes ela sobrevive ao tratamento. Ao utilizarmos as nanopart\u00edculas para direcionar o antibi\u00f3tico para o interior das c\u00e9lulas de defesa, conseguimos aumentar sua concentra\u00e7\u00e3o nesse local e assim tornar o medicamento mais eficiente\u201d, explica o pesquisador Humberto Brand\u00e3o, da Embrapa Gado de Leite. Como as nanopart\u00edculas direcionam o antibi\u00f3tico para o local da infec\u00e7\u00e3o, espera-se que o tratamento seja mais efetivo que os dispon\u00edveis atualmente. <\/p>\n<p>A outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 o uso de nanofibras (foto abaixo, \u00e0 direita) para o tratamento do abscesso maduro ap\u00f3s a drenagem, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 tintura de iodo a 10%, de modo a eliminar a bact\u00e9ria e favorecer a cicatriza\u00e7\u00e3o. \u201cAs nanofibras s\u00e3o ferramentas bastante interessantes para aplica\u00e7\u00f5es m\u00e9dico-veterin\u00e1rias, pois podem ser produzidas com materiais biocompat\u00edveis com elevada \u00e1rea de superf\u00edcie e porosidade, que mimetizam a matriz extracelular, e permitem carregar grandes quantidades de f\u00e1rmacos, possibilitando sua libera\u00e7\u00e3o de forma lenta no sistema\u201d, relata o pesquisador da Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o Daniel Corr\u00eaa.<\/p>\n<p>Na Ufla, est\u00e3o sendo desenvolvidos modelos computacionais com base nos resultados obtidos com animais para determinar com precis\u00e3o os protocolos (doses e intervalos) de tratamento. O pesquisador Marcos Ferrante explica que trabalhar com modelos computacionais permite simular diferentes cen\u00e1rios, diminuindo o n\u00famero de animais usados na pesquisa, al\u00e9m de maximizar o uso dos recursos financeiros. &#8220;Essas pesquisas permitir\u00e3o otimizar as doses para protocolos terap\u00eauticos em diferentes cen\u00e1rios produtivos, possibilitando aos produtores tratar os animais com a m\u00ednima quantidade de antibi\u00f3tico necess\u00e1ria e sem comprometer a efic\u00e1cia do tratamento&#8221;, complementa Ferrante.<\/p>\n<p>Tecnologia depende de parceiros para chegar ao mercado<br \/>\nAtualmente, o desenvolvimento da nova t\u00e9cnica est\u00e1 em fase de testes com caprinos para definir a melhor forma de uso do produto, incluindo dosagem e frequ\u00eancia de aplica\u00e7\u00f5es. Segundo Yoshida, a equipe espera concluir os ensaios com os animais em condi\u00e7\u00f5es controladas nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos e encontrar parceiros na ind\u00fastria farmac\u00eautica para viabilizar a produ\u00e7\u00e3o em larga escala para comercializa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cEstamos prospectando parceiros para colocar o produto no mercado. A parceria com essa formula\u00e7\u00e3o pode ser em codesenvolvimento desse e de outros medicamentos. O parceiro interessado entraria com a expertise e infraestrutura de linha de produ\u00e7\u00e3o, capaz de receber a tecnologia de formula\u00e7\u00f5es nanotecnol\u00f3gicas para uso farmac\u00eautico. Essa tecnologia mostra potencial, visto que j\u00e1 foi testada em outras esp\u00e9cies animais e infec\u00e7\u00f5es, como mastite e ceratoconjuntivite em bovinos\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":428,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[87],"tags":[],"class_list":["post-427","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/noticia-3.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=427"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":429,"href":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427\/revisions\/429"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/428"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/plataformacidts.com\/comercio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}